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A última cova
 

Passar por medroso diante dos amigos era uma vergonha tremenda, ao contrário disso, ser reconhecido como uma pessoa de coragem, era como um troféu para muitos, principalmente entre os mais jovens.

Foi por conta desse orgulho que três jovens disputavam entre si, qual deles era mais corajoso e o teste seria dos mais assustadores.

Foi então que Antônio propôs-se a realizar um teste de coragem. Ele combinou com seus dois amigos, Juvenal e Francisco de se reunirem pouco antes da meia noite em frente ao portão do cemitério do Quicumbi, onde, após as 12 badaladas anunciando que era meia noite, Antônio, para provar sua coragem, teria que adentrar-se no cemitério, sozinho, de posse de uma estaca de madeira para cravá-la na ultima sepultura.

Os dois garotos foram então ao local e na hora combinada. Faltava apenas 1 minuto  para a meia noite quando Antônio, trajando um sobretudo preto e botas de couto, apareceu com o ar de destemido.

Ao soar das 12 badaladas, o jovem, para provar sua  coragem diante dos amigos, pulou o portão do cemitério e caminhou em direção aos fundos do mesmo. Naquele momento, ele sentiu um arrepio pelo seu corpo, o medo e o arrependimento começaram a tomar conta dele, ele era capaz de ouvir em tom alto as batidas aceleradas de seu próprio coração e, nesse momento, pôs-se a andar mais rápido a fim de terminar logo sua façanha.

Se naquele momento ele voltasse e desistisse de tudo, era como se condenar para sempre como um covarde diante de seus amigos que, na primeira oportunidade, iriam espalhar a notícia aos quatro ventos, como rastilho de pólvora. Seria a maior humilhação de sua vida.

Chegando então na última cova, ele abaixou-se e mais do que depressa, olhando para todas as direções e sem prestar atenção na batida de sua marreta, cravou a estaca naquela terra fresca com apenas um único golpe e levantou-se rapidamente.

Porém, ao dar o primeiro passo, sentiu que algo o prendia, como se alguém o estivesse segurando pelo sobretudo, foi nesse momento que o medo e o pavor tomaram conta do pobre infeliz, seu coração disparou de tal maneira que o inesperado aconteceu. Antônio sofreu uma morte súbita ali mesmo. 

Percebendo a demora de Antônio, seus dois amigos ficaram preocupados, porém não tinham coragem de atravessar os portões do cemitério para procurá-lo e muito menos contar a alguém o ocorrido para não passarem como medrosos. Então ele decidiram aguardar até que o dia amanhecesse e assim o fizeram.

Nas primeiras horas da manha eles se dirigiram até a última cova e chegando lá depararam com o cadáver do amigo, pálido, de olhos esbugalhados e com cara de pavor, como tivesse sido assombrado por algo assustador e, próximo ao seus pés, transpassando e prendendo o sobretudo que o infeliz amigo usava, se encontrava a estaca cravada no local combinado, na última cova.